REVOADA DE MEMÓRIAS NA PULSAÇÃO
DO TEMPO
*Cláudio Estevam
Pois é...
Vida afora, passamos por cada coisa!...
De cotovelos apoiados no balcão de atendimento da loja de
produtos agropecuários, olhos nos olhos do meu atendente, eu relacionava nomes
de insumos do meu interesse quando à minha esquerda, na distância que depois
constatei não excedia a um metro, um "Bom dia!" de voz masculina,
impostada e estridente, ecoou como se destinado a todos os presentes naquele
ambiente.
Reconheci a voz.
Mantive, não obstante, minha atenção presa ao discurso
técnico do vendedor, sobre as vantagens de uma marca de produto em detrimento
de outras....
Destarte, ambos nos furtamos em corresponder, assim de
imediato, aos cumprimentos do recém-chegado. Outros, porém, o fizeram.
Conhecido meu há quase meia dúzia de décadas, esse senhor da
voz sempre fora notório pelo seu modo espalhafatoso de se dirigir às pessoas em
público. Na mocidade, ousava bater as cordas d’um violão. Isto lhe valeu
infiltrar-se — a despeito da maneira sorrateira como o fez — na comunidade de
jovens estudantes. Eram os filhos de famílias bem postadas na sociedade.
Paradoxalmente, Mister White, não era o branco sugerido pela palavra inglesa.
Negro e analfabeto pobre diabo — num tempo em que a cor
escura da pele e os cabelos denunciando a raça contavam pontos negativos para a
aceitação do indivíduo pela sociedade —, vivia às expensas da mãe, uma
lavadeira miserável que com ele compartilhava um barraco num gueto, na
periferia da cidade.
Das trouxas de roupas sujas — uma vez lavadas e passadas com
o devido esmero —,ela, a mãe, auferia os parcos recursos que converteria em pão
e vestes, que alimentariam o corpo e a imagem supostamente aformoseada desse “nobre senhor”. Bem vestido — tornado,
pois, com maior chance de bem impressionar; ser visto e aceito por aqueles com
quem buscaria enturmar-se —,falante que era, tais recursos eram somados a
outros: expressava-se na linguagem vulgar, mas como quem tem a autoestima bem
acima da “canopla” do seu estimado nariz.
Assim é que vagabundeava, sol a pino que fosse, pelas ruas
principais e praças da cidade, como se vivesse às expensas de uma família bem
aquinhoada pela sorte. Abordava, caminho afora, uns e outros à cata de
popularidade. Isto, entre os brancos notáveis da sociedade. Sua relação, porém, com os moços brancos, da
sua mesma idade, mas de respeitada posição social, não ia além — como não
haveria de ir — de divertí-los com o seu dedilhar um surrado violão e cantar
seu canto para alegrá-los em serenatas e nos bancos do jardim Cristiano Rôças,
mais conhecido como Praça São Januário.
Nesses lances, Mister White fumava, tomava cafezinhos e
saboreava pequenos lanches, tudo à custa da mesada dos "colegas". Não
se enturmava com negros. Dos pais desses jovens brancos ele recebia apenas
expressões sombrias, silenciosas, desconfiadas, desaprovadoras.
Para conquistar o respeito e a simpatia das famílias de seus
pretensos amigos na sociedade elitista daquela época, far-se-ia mister que esse
"cavalheiro" fosse um senhor artista, mas seu dedilhado não
sensibilizava ninguém além do entorno de banco de jardim ou nas serenatas, que
eventualmente terminavam em marcantes escaramuças.
Ele era visto pelos pais dos estudantes como vagabundo e
arruaceiro. Mas apreciavam seu lado divertido, numa cidade onde o
entretenimento da juventude se limitava ao cinema e ao futebol.
Esporadicamente, alguns economizavam a mesada
e compravam alguns minutos de pasto sexual na zona boêmia da cidade,
atividade naquele tempo altamente censurada aos filhos pelos altos riscos de
contração das DST, tipo gonorreia e outras.
Decerto este, aliás, o motivo da tolerância, pelas famílias, do tal
pseudoartista no mesmo ambiente que seus filhos: um "mal necessário",
admitiam.
Mas — voltemos lá atrás, caro leitor, no que eu ia dizendo.
Vamos, pois, ao momento do cumprimento pelo forasteiro. Foi quando meu
interlocutor atendia o celular, que me virei para responder à saudação do tal
"senhor" à minha esquerda:
— Muito bom dia, Mister White!!! Alegria, meu jovem, topá
com cê nessa parada! Tudo beleza?
Daí aí em diante, Mister White discorreu sobre um
documentário técnico/científico televisivo acerca da resistência mecânica da
teia de aranha, rolando mais umas tantas declarações da sua “sabedoria
elitista”. Como novidade, anunciou uma viagem aérea para “mês que vem” ao sul
do Brasil, “quando assistirei ao casamento de um primo seu, o Alfredo".
Nesse momento , minha combalida memória de sexagenário
enganchou-me numa sequencial lembrança de fatos, dum episódio tão distante no
tempo quanto singular, quando, ladeado da minha santa mãezinha, fomos
“circunstancial e emergencialmente” requisitados, para testemunhar, na condição
de padrinhos, o casamento do Geraldo Dragão...
Sim, o convite nos fora feito pelo noivo para que nos
tornássemos seus padrinhos. Uma historieta um tanto curiosa, que deveria ser
contada sob um enfoque hilariante. Entretanto, em virtude da simplicidade
social e humana dos personagens
envolvidos, omitirei detalhes que possam caracterizar achincalhamento de pessoas humildes e dignas de respeito.
Meio vizinho, Dragão morava logo ali a uns 300 metros da
minha casa, na parte baixa do bairro. Compartilhava com a avó materna e uma tia
um barraco humilde, espremido entre outros, numa comunidade que aos poucos se instalava na
pirambeira à margem ribeirinha da rua, a não mais que três metros acima do
espelho d’água do rio que banha a cidade. Um lugar passivo de inundações na
estação chuvosa. No barraco, nenhuma evidência das figuras materna e paterna do
Dragão; apenas ele, sua avó e sua tia.
Cabelos lisos longos e nigérrimos, nariz afilado, pele
morena avermelhada, olhos castanhos escuros (características fisionômicas de
mameluco ;miscigenação de branco com índio), predominavam nas mulheres. E,
voltando ao Dragão: nele, mestiço, predominava características físicas da raça
negra como cor da pele, cabelos, nariz...ahhhhhhhhhh!!! o nariz! Completamente
diferente das fossas nasais de batata, de negro africano. Sim, nele destacava
um proeminente e longo osso nasal cuja influência na altura e no comprimento do
dorso terminava com ponta fina, mas como
que provido de asas enormes... As asas do seu nariz, ocupavam, no rosto, quase
o correspondente à totalidade da largura do seu lábio superior.
Isto equivale a dizer que
Dragão era dotado de enormes cavidades nasais, nas quais um menino, fera
que fosse na atiradeira, encaçaparia uma bola de gude sem tocar-lhe a borda.
Ombros estreitos, braços longos e finos, porém compatíveis
com a altura do abdome, mas as pernas curtas e finas... Cabeça, exageradamente
grande, macrocéfalo, ele... Havia quem a ele se referia (na sua ausência, evidentemente)
como “marimbondo chapéu”.
Com a descrição superficial dos braços e pernas do Dragão,
desnecessário dizer que o cara era magro... magérrimo. Aos 23 anos ele já
somara a ausência de quatro dentes frontais da arcada superior. Mas, sorria. Um
sorriso pálido, acanhado, vazio das vibrações contagiantes nos jovens da sua
idade.
Dragão tinha um olhar sereno, calmo, pujante do vigor da
juventude. Mas medroso, contido, na exteriorização própria das criaturas
bafejadas pela natureza com um bálsamo calmante dos instintos primitivos da
raça.
A voz, grave/gravíssima, tinha pouco volume e alguma
impostação, certamente um jeito que buscava de melhorar a má dicção resultante
da inexistência, na boca, dos dentes frontais .
O cognome Dragão, nada tinha a ver com a “banguelice”,
a constituição fisiológica ou a sua
fisionomia. É possível que o apelido tivesse alguma relação com a moda daquele
momento, quando a cultura chinesa invadiu no Ocidente as telas das casas de
exibição dos espetáculos cinematográficos,
mostrando a força e o poder de algumas figuras mitológicas — entre elas
o dragão — cultuadas, respeitadas e
festejadas culturalmente por algumas civilizações orientais. Possivelmente por
simbolizar uma energia desagradável, a figura do dragão mitológico oriental, escolhida pelos cinéfilos, pra designar uma
pessoa feia de meter medo, logo ganhou popularidade. Era comum ouvir do
desafeto de alguém a expressão: fulano é feio feito um dragão. A alcunha do
Geraldo teve, possivelmente, pois, essa origem.
Devo complementar, dizendo: a figura humana do Geraldo
Dragão, em termos evolutivos, situava-se num atraso de anos-luz em relação ao
padrão de beleza e perfectível modelo de macho humano que, então, povoava os
sonhos de consumo da mulherada. Seu apelido, que não caiu no domínio público,
circunscrevia-se ao espírito zombador de meia dúzia de moleques endemoninhados,
meus parentes, e da minha comunidade, que zoavam também mendigos, desocupados e
moradores de rua. Entretanto, tenho certeza absoluta que jamais zoaram
publicamente o Dragão. Debochavam dele pelas costas. Afinal, ele era
trabalhador, sério e jovem, capaz de peitar os moleques e aplicar-lhes uma boa
surra. Sei que não mexiam com ele, apenas escarneciam, por pura diversão entre
eles. Quando a molecada se reunia em coro pra “zoação”, arrancava,
inevitavelmente, de suas vítimas, expressões de ofensas, desabafos e desespero
que ecoam, ainda hoje, nos recônditos recessos das minhas saudosas lembranças. Os moleques iam ao
delírio de alegria quando suas provocações atingiam a vítima, que reagia
furiosa, gesticulando, bradando encolerizada: “VÃO MEXÊ KA PUTAKITIPARIU!!!
CAMBADA DI FIDIPUTA! A MÃE DOCÊIS E O PAI DOCÊIS É PUTA, É VIÁDU! O DEMÔNU MORA
NA MENTE DOCÊIS...O CORPO DOCÊIS É FICINA DO DEMÕE...DISGRAÇÁDU! UMA PIKA DI
KAVALU ENTRA NA BUCETA DA SUAS MÃE!!! FIDIPUTA! DIPUTA! DIPUTAAAAAAAA!
DISGRAÇÁDU!!!
Sempre a uma distância segura da vítima, davam um tempo até
que ela se acalmasse, pra logo começar tudo novamente... Havia ocasiões em que
eles encurralavam duas ou três vítimas num trecho da rua e a zoada podia durar
uma manhã inteirinha ou uma tarde.
Dependia muito do fôlego das vítimas que, geralmente, eram velhos beberrões e
moradores de rua, ou vacilões mentais fora do controle de suas famílias.
Alguns desses eventos de “zoação”, soía acontecer sob a
liderança de Roberto Craveiro, filho de um Juiz de Direito, que morava no ponto
mais alto da rua, a cerca de uns 100 metros da minha casa. Ele nunca iniciava o
evento, sempre tomava carona nele e
assumia a liderança apoiado pelos moleques, que iam à beira do histerismo.
Roberto já era um moço de uns dezenove anos (tinha mais que
o dobro da minha idade) e era o agente responsável pela taquicardia de todas as
mocinhas da rua durante o tempo inteirinho do show de zoação... Postadas
timidamente em grupos de duas a até seis moças nos janelões das casas, elas
sorriam, gesticulavam, gargalhavam e cochichavam entre elas enquanto devoravam
a imagem do Roberto com seus olhares e sorrisos festivos e sonhadores. Jamais,
porém, se dirigiam verbalmente a ninguém envolvido no evento, nem mesmo ao
Roberto, sob o risco de severo castigo imposto pelas famílias.
Naqueles momentos o Roberto era um verdadeiro astro, no
centro nuclear de um acontecimento digno de registro cinematográfico. Ali, as
emoções humanas fluíam livres e verdadeiramente, sem nenhum script, sem
roteiros ou enredos , sem elencos previamente ensaiados, contratados ou
escalados, sem censura ou coreografias catalogadas, sem diretores ou
patrocinadores, sem riscos à integridade física ou moral. Era apenas uma
gritaria entre moleques que estavam entrando no mundo e criaturas que já tinham
perdido a noção da essencialidade com a vida. Muitos daqueles assim agredidos
pelos moleques estavam sempre voltando ao palco dos conflitos, por sentir neles
uma oportunidade, acredito, de desabafar, de fazer jorrar, pelas vias do
xingamento, suas frustrações e suas decepções com uma sociedade falsa, imoral,
cruel, porca e injusta, que lhes negara direito a uma vida humanamente digna.
Hoje, decorridos mais de cinco décadas, creio que até mesmo os adultos mais
sensatos, moralistas e puritanos — embora não tivessem a coragem e a liberdade
de declarar — gostavam daqueles eventos.
Mas, novamente voltemos ao cenário da cerimônia religiosa de
casamento do Geraldo Dragão. Eu e minha santa mãezinha recebêramos dele,
emergencialmente, o convite para apadrinhá-lo — na então pobrezinha capela do
HSVP (Hospital São Vicente de Paula). Naquela igrejinha um padreco, de meia
idade, furreca de atitudes e impaciente,
surrava em cobranças ao Geraldo pelo longo atraso da noiva.
Quando chegamos eu e minha mãe, o noivo e os padrinhos da
noiva já se encontravam no altar, frente ao padre, aguardando a chegada da
noiva. Sentamo-nos no primeiro banco à entrada da igreja. A capelinha, quase
vazia, bem mostrava o status social dos noivos, com os poucos convidados
presentes sussurrando sobre o "imperdoável longuíssimo" atraso da
nubente...
Finalmente se fez presente a noiva. Ajeitou-se, com sua
comitiva, que não passava de umas três ou quatro pessoas, no umbral da capela.
Demandaram algum tempo no arranjo de alguns bagulhos e penduricalhos que
despencaram do traje nupcial. Num toca-disco portátil, a um canto do altar, um
senhor, negro e gordo — víramos quando
ele amarrava, pelo cabresto, numa árvore da rua, um cavalo do qual apeara — duns sessenta e poucos anos, tentava
rodar um disco vinil, tipo broa preta, contendo alguma música apropriada ou
pré-escolhida para a cerimônia. A noiva, desconcertada sob os olhares duns
vinte e poucos convidados presentes, também suava muito e, nervosamente, olhava
para o próprio busto — àquela altura dos acontecimentos e do calor sufocante —,
nas partes onde o vestido, branco, exibia algumas manchas de suor colorido pela
maquiagem dissolvida do seu rosto. Todo mundo esperando, ela continuava na
porta da igreja com sua comitiva (duas crianças vestidas de damas de honra),
esperando a música, que viria da tal eletrola aos cuidados daquele senhor
negro.
Enquanto isto, ela obedecia a imperiosa ordem de um certo
“retratista” (era este o nome que os fotógrafos profissionais davam aos
incautos amadores que se metiam numa aventura daquela), fazendo as poses para o
registro fotográfico. O senhor negro e gordo, que tentava funcionar sem sucesso
o tocadisco de onde sairia a música de entrada da noiva, embalado num terno
branco de linho, amarrotado e empoeirado, usava uma gravata estilo língua de
vaca, na cor preta listrada de vermelho. Do seu rosto e da cabeça pelada
escorria, incessantemente, para o pescoço, muito suor, logo absorvido pelas
golas da camisa e do paletó e que, em contato com a poeira, produzia fina
camada de lama. Nas suas andanças pelo
altar ele abordava, gesticulando e falante, uma senhora negra, gorda e
baixinha, de vestido longo na cor branca.
Os sapatos dela, de bico fino e salto alto, eram de cor
amarela com um pequeno cadarço vermelho. Os cabelos castanhos, lisos e longos,
que compunham sua peruca, desciam abaixo dos ombros e eram deveras volumosos.
Ela se abanava com um grande leque de cor verde-escura e bolinhas amarelas.
Todos dentro daquela capela suavam muito; eu e minha mãe também.
Eram treze horas de um domingo do meado de janeiro. Somente
uma forte tempestade para restabelecer uma temperatura confortável naquele
ambiente. Foi quando, por fim, a broa preta rodou, a música tocou, a noiva
entrou. O padre espremia novamente o Geraldo Dragão para que convidasse ao
altar as suas testemunhas.
Geraldo virou-se de costas pr’o altar, desceu cambaleante os
três ou quatro degraus, percorreu todo o corredor da capela fitando-nos, com
olhar esperançoso. Tentou, num esforço nervoso e sobrehumano, explicar em
poucas palavras a ausência dos seus padrinhos. O negro estava pálido. Seu terno
cinza escuro brilhante, muito bem cortado, mas apertadíssimo no seu corpo
magro, molhado, pingava suor. Ele mal articulava as poucas palavras, rogando
que supríssemos o lugar das suas testemunhas ausentes. Tomados de forte emoção,
restou-nos lacrimejar, eu e minha mãe.
Caminhamos com ele até ao altar... O padre deu inicio a
cerimônia... Decorrido um tempo de falatório de improviso, iniciou a
leitura dum texto numa pasta preta que sustentava aberta entre suas mãos
trêmulas. O suor escorria-lhe da testa ao nariz, precipitando sobre a página
que lia. Expressão grave, a palidez do seu rosto denunciava o quanto ele estava
de "saco cheio" com tudo aquilo. O senhor negro, de terno empoeirado,
andava inquieto de um lado para o outro ao fundo do altar, enxugando
nervosamente a cabeça e o rosto, com um superlenço vermelho e preto que mais
parecia uma toalha/bandeira do Flamengo. De repente o Geraldo Dragão,
postando-se de frente para o padre, cambaleou e caiu espetacular e pesadamente
sobre ele. Os dois foram ao chão. Com a ajuda dos presentes,que ainda se
recobravam do susto, ambos se
levantaram. Na expressão fisionômica do padre lia-se um misto de dor e de
raiva. Ele se ausentou do altar sob a recomendação de que avisassem na
sacristia assim que o noivo restabelecesse da queda. Que cena! Por sorte, nenhum
ferimento que impedisse a conclusão do episódio.
Milagrosamente, alguém descobriu uma porção de açúcar guardado na despensa
improvisada da capelinha, providenciando logo um calmante pro Geraldo Dragão.
Assim, água com açúcar e cadeira ajudaram a levar o Geraldo ao final do evento,
sentado. Quanto ao padre... Ahhhh!!! O padre! Este, mal balbuciou entre os
dentes as bobagens finais da ocasião e, sequer cumprimentou os noivos...
“Passou sebo nas canelas” e “pikou a mula”!!!
Foi assim que eu e minha santa mãezinha, surpreendentemente,
nos tornamos padrinhos de casamento do Geraldo Dragão...padrinhos improvisados.
Voltemos a Mister White, (o agente catalizador dessa "REVOADA DE
MEMÓRIAS"), aquele que mencionei no início do texto, que se dizia convidado
a assistir o casamento do meu primo no
Sul do país...Pois bem; baseado neste relato da minha experiência pessoal,
não duvido que esse
"nobre senhor" possa também apadrinhar circunstancialmente ou
emergencialmente, o casamento do Dr. Alfredo, haja visto a notável amizade de
Mister White como pai do noivo e por extensão, com sua família. O pai de
Alfredo, homem virtuoso e dotado de
notável calibre intelectual; norteou sua vida de nobres valores humanos,
vivenciados na interação com seus pares na sociedade, entre os quais foi
profundamente admirado e respeitado. Incompreensível e paradoxal entretanto, a sua estreita ligação com uma
criatura de limitados horizontes conscienciais como Mister White...
*Cláudio Estevam
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