sábado, 17 de novembro de 2012


REVOADA DE MEMÓRIAS NA PULSAÇÃO

                     DO TEMPO                                                        

                                                          *Cláudio Estevam

 

Pois é...

Vida afora, passamos por cada coisa!...

De cotovelos apoiados no balcão de atendimento da loja de produtos agropecuários, olhos nos olhos do meu atendente, eu relacionava nomes de insumos do meu interesse quando à minha esquerda, na distância que depois constatei não excedia a um metro, um "Bom dia!" de voz masculina, impostada e estridente, ecoou como se destinado a todos os presentes naquele ambiente.

Reconheci a voz.

Mantive, não obstante, minha atenção presa ao discurso técnico do vendedor, sobre as vantagens de uma marca de produto em detrimento de outras....

Destarte, ambos nos furtamos em corresponder, assim de imediato, aos cumprimentos do recém-chegado. Outros, porém, o fizeram.

Conhecido meu há quase meia dúzia de décadas, esse senhor da voz sempre fora notório pelo seu modo espalhafatoso de se dirigir às pessoas em público. Na mocidade, ousava bater as cordas d’um violão. Isto lhe valeu infiltrar-se — a despeito da maneira sorrateira como o fez — na comunidade de jovens estudantes. Eram os filhos de famílias bem postadas na sociedade. Paradoxalmente, Mister White, não era o branco sugerido pela palavra inglesa.

Negro e analfabeto pobre diabo — num tempo em que a cor escura da pele e os cabelos denunciando a raça contavam pontos negativos para a aceitação do indivíduo pela sociedade —, vivia às expensas da mãe, uma lavadeira miserável que com ele compartilhava um barraco num gueto, na periferia da cidade.

Das trouxas de roupas sujas — uma vez lavadas e passadas com o devido esmero —,ela, a mãe, auferia os parcos recursos que converteria em pão e vestes, que alimentariam o corpo e a imagem supostamente aformoseada  desse “nobre senhor”. Bem vestido — tornado, pois, com maior chance de bem impressionar; ser visto e aceito por aqueles com quem buscaria enturmar-se —,falante que era, tais recursos eram somados a outros: expressava-se na linguagem vulgar, mas como quem tem a autoestima bem acima da “canopla” do seu estimado nariz.

Assim é que vagabundeava, sol a pino que fosse, pelas ruas principais e praças da cidade, como se vivesse às expensas de uma família bem aquinhoada pela sorte. Abordava, caminho afora, uns e outros à cata de popularidade. Isto, entre os brancos notáveis da sociedade.  Sua relação, porém, com os moços brancos, da sua mesma idade, mas de respeitada posição social, não ia além — como não haveria de ir — de divertí-los com o seu dedilhar um surrado violão e cantar seu canto para alegrá-los em serenatas e nos bancos do jardim Cristiano Rôças, mais conhecido como Praça São Januário.

Nesses lances, Mister White fumava, tomava cafezinhos e saboreava pequenos lanches, tudo à custa da mesada dos "colegas". Não se enturmava com negros. Dos pais desses jovens brancos ele recebia apenas expressões sombrias, silenciosas, desconfiadas, desaprovadoras.

Para conquistar o respeito e a simpatia das famílias de seus pretensos amigos na sociedade elitista daquela época, far-se-ia mister que esse "cavalheiro" fosse um senhor artista, mas seu dedilhado não sensibilizava ninguém além do entorno de banco de jardim ou nas serenatas, que eventualmente terminavam em marcantes escaramuças.

Ele era visto pelos pais dos estudantes como vagabundo e arruaceiro. Mas apreciavam seu lado divertido, numa cidade onde o entretenimento da juventude se limitava ao cinema e ao futebol. Esporadicamente, alguns economizavam a mesada  e compravam alguns minutos de pasto sexual na zona boêmia da cidade, atividade naquele tempo altamente censurada aos filhos pelos altos riscos de contração das DST, tipo gonorreia e outras.  Decerto este, aliás, o motivo da tolerância, pelas famílias, do tal pseudoartista no mesmo ambiente que seus filhos: um "mal necessário", admitiam.

Mas — voltemos lá atrás, caro leitor, no que eu ia dizendo. Vamos, pois, ao momento do cumprimento pelo forasteiro. Foi quando meu interlocutor atendia o celular, que me virei para responder à saudação do tal "senhor" à minha esquerda:

— Muito bom dia, Mister White!!! Alegria, meu jovem, topá com cê nessa parada! Tudo beleza?

Daí aí em diante, Mister White discorreu sobre um documentário técnico/científico televisivo acerca da resistência mecânica da teia de aranha, rolando mais umas tantas declarações da sua “sabedoria elitista”. Como novidade, anunciou uma viagem aérea para “mês que vem” ao sul do Brasil, “quando assistirei ao casamento de um primo seu, o Alfredo".

Nesse momento , minha combalida memória de sexagenário enganchou-me numa sequencial lembrança de fatos, dum episódio tão distante no tempo quanto singular, quando, ladeado da minha santa mãezinha, fomos “circunstancial e emergencialmente” requisitados, para testemunhar, na condição de padrinhos, o casamento do Geraldo Dragão...

Sim, o convite nos fora feito pelo noivo para que nos tornássemos seus padrinhos. Uma historieta um tanto curiosa, que deveria ser contada sob um enfoque hilariante. Entretanto, em virtude da simplicidade social e humana dos personagens  envolvidos, omitirei detalhes que possam caracterizar  achincalhamento  de pessoas humildes e dignas de respeito.

Meio vizinho, Dragão morava logo ali a uns 300 metros da minha casa, na parte baixa do bairro. Compartilhava com a avó materna e uma tia um barraco humilde, espremido entre outros, numa  comunidade que aos poucos se instalava na pirambeira à margem ribeirinha da rua, a não mais que três metros acima do espelho d’água do rio que banha a cidade. Um lugar passivo de inundações na estação chuvosa. No barraco, nenhuma evidência das figuras materna e paterna do Dragão; apenas ele, sua avó e sua tia.

Cabelos lisos longos e nigérrimos, nariz afilado, pele morena avermelhada, olhos castanhos escuros (características fisionômicas de mameluco ;miscigenação de branco com índio), predominavam nas mulheres. E, voltando ao Dragão: nele, mestiço, predominava características físicas da raça negra como cor da pele, cabelos, nariz...ahhhhhhhhhh!!! o nariz! Completamente diferente das fossas nasais de batata, de negro africano. Sim, nele destacava um proeminente e longo osso nasal cuja influência na altura e no comprimento do dorso terminava  com ponta fina, mas como que provido de asas enormes... As asas do seu nariz, ocupavam, no rosto, quase o correspondente à totalidade da largura do seu lábio superior.

Isto equivale a dizer que  Dragão era dotado de enormes cavidades nasais, nas quais um menino, fera que fosse na atiradeira, encaçaparia uma bola de gude sem tocar-lhe a borda.

Ombros estreitos, braços longos e finos, porém compatíveis com a altura do abdome, mas as pernas curtas e finas... Cabeça, exageradamente grande, macrocéfalo, ele... Havia quem a ele se referia (na sua ausência, evidentemente) como “marimbondo chapéu”.

Com a descrição superficial dos braços e pernas do Dragão, desnecessário dizer que o cara era magro... magérrimo. Aos 23 anos ele já somara a ausência de quatro dentes frontais da arcada superior. Mas, sorria. Um sorriso pálido, acanhado, vazio das vibrações contagiantes nos jovens da sua idade.

Dragão tinha um olhar sereno, calmo, pujante do vigor da juventude. Mas medroso, contido, na exteriorização própria das criaturas bafejadas pela natureza com um bálsamo calmante dos instintos primitivos da raça.

A voz, grave/gravíssima, tinha pouco volume e alguma impostação, certamente um jeito que buscava de melhorar a má dicção resultante da inexistência, na boca, dos dentes frontais .

O cognome Dragão, nada tinha a ver com a “banguelice”, a  constituição fisiológica ou a sua fisionomia. É possível que o apelido tivesse alguma relação com a moda daquele momento, quando a cultura chinesa invadiu no Ocidente as telas das casas de exibição dos espetáculos cinematográficos,  mostrando a força e o poder de algumas figuras mitológicas — entre elas o dragão —  cultuadas, respeitadas e festejadas culturalmente por algumas civilizações orientais. Possivelmente por simbolizar uma energia desagradável, a figura do dragão mitológico oriental,  escolhida pelos cinéfilos, pra designar uma pessoa feia de meter medo, logo ganhou popularidade. Era comum ouvir do desafeto de alguém a expressão: fulano é feio feito um dragão. A alcunha do Geraldo teve, possivelmente, pois, essa origem.

Devo complementar, dizendo: a figura humana do Geraldo Dragão, em termos evolutivos, situava-se num atraso de anos-luz em relação ao padrão de beleza e perfectível modelo de macho humano que, então, povoava os sonhos de consumo da mulherada. Seu apelido, que não caiu no domínio público, circunscrevia-se ao espírito zombador de meia dúzia de moleques endemoninhados, meus parentes, e da minha comunidade, que zoavam também mendigos, desocupados e moradores de rua. Entretanto, tenho certeza absoluta que jamais zoaram publicamente o Dragão. Debochavam dele pelas costas. Afinal, ele era trabalhador, sério e jovem, capaz de peitar os moleques e aplicar-lhes uma boa surra. Sei que não mexiam com ele, apenas escarneciam, por pura diversão entre eles. Quando a molecada se reunia em coro pra “zoação”, arrancava, inevitavelmente, de suas vítimas, expressões de ofensas, desabafos e desespero que ecoam, ainda hoje, nos recônditos recessos das minhas  saudosas lembranças. Os moleques iam ao delírio de alegria quando suas provocações atingiam a vítima, que reagia furiosa, gesticulando, bradando encolerizada: “VÃO MEXÊ KA PUTAKITIPARIU!!! CAMBADA DI FIDIPUTA! A MÃE DOCÊIS E O PAI DOCÊIS É PUTA, É VIÁDU! O DEMÔNU MORA NA MENTE DOCÊIS...O CORPO DOCÊIS É FICINA DO DEMÕE...DISGRAÇÁDU! UMA PIKA DI KAVALU ENTRA NA BUCETA DA SUAS MÃE!!! FIDIPUTA! DIPUTA! DIPUTAAAAAAAA! DISGRAÇÁDU!!! 

Sempre a uma distância segura da vítima, davam um tempo até que ela se acalmasse, pra logo começar tudo novamente... Havia ocasiões em que eles encurralavam duas ou três vítimas num trecho da rua e a zoada podia durar uma manhã inteirinha  ou uma tarde. Dependia muito do fôlego das vítimas que, geralmente, eram velhos beberrões e moradores de rua, ou vacilões mentais fora do controle de suas famílias.

Alguns desses eventos de “zoação”, soía acontecer sob a liderança de Roberto Craveiro, filho de um Juiz de Direito, que morava no ponto mais alto da rua, a cerca de uns 100 metros da minha casa. Ele nunca iniciava o evento, sempre tomava carona nele  e assumia a liderança apoiado pelos moleques, que iam à beira do histerismo.

Roberto já era um moço de uns dezenove anos (tinha mais que o dobro da minha idade) e era o agente responsável pela taquicardia de todas as mocinhas da rua durante o tempo inteirinho do show de zoação... Postadas timidamente em grupos de duas a até seis moças nos janelões das casas, elas sorriam, gesticulavam, gargalhavam e cochichavam entre elas enquanto devoravam a imagem do Roberto com seus olhares e sorrisos festivos e sonhadores. Jamais, porém, se dirigiam verbalmente a ninguém envolvido no evento, nem mesmo ao Roberto, sob o risco de severo castigo imposto pelas famílias.

Naqueles momentos o Roberto era um verdadeiro astro, no centro nuclear de um acontecimento digno de registro cinematográfico. Ali, as emoções humanas fluíam livres e verdadeiramente, sem nenhum script, sem roteiros ou enredos , sem elencos previamente ensaiados, contratados ou escalados, sem censura ou coreografias catalogadas, sem diretores ou patrocinadores, sem riscos à integridade física ou moral. Era apenas uma gritaria entre moleques que estavam entrando no mundo e criaturas que já tinham perdido a noção da essencialidade com a vida. Muitos daqueles assim agredidos pelos moleques estavam sempre voltando ao palco dos conflitos, por sentir neles uma oportunidade, acredito, de desabafar, de fazer jorrar, pelas vias do xingamento, suas frustrações e suas decepções com uma sociedade falsa, imoral, cruel, porca e injusta, que lhes negara direito a uma vida humanamente digna. Hoje, decorridos mais de cinco décadas, creio que até mesmo os adultos mais sensatos, moralistas e puritanos — embora não tivessem a coragem e a liberdade de declarar — gostavam daqueles eventos.  

Mas, novamente voltemos ao cenário da cerimônia religiosa de casamento do Geraldo Dragão. Eu e minha santa mãezinha recebêramos dele, emergencialmente, o convite para apadrinhá-lo — na então pobrezinha capela do HSVP (Hospital São Vicente de Paula). Naquela igrejinha um padreco, de meia idade, furreca de atitudes e  impaciente, surrava em cobranças ao Geraldo pelo longo atraso da noiva.

Quando chegamos eu e minha mãe, o noivo e os padrinhos da noiva já se encontravam no altar, frente ao padre, aguardando a chegada da noiva. Sentamo-nos no primeiro banco à entrada da igreja. A capelinha, quase vazia, bem mostrava o status social dos noivos, com os poucos convidados presentes sussurrando sobre o "imperdoável longuíssimo" atraso da nubente...

Finalmente se fez presente a noiva. Ajeitou-se, com sua comitiva, que não passava de umas três ou quatro pessoas, no umbral da capela. Demandaram algum tempo no arranjo de alguns bagulhos e penduricalhos que despencaram do traje nupcial. Num toca-disco portátil, a um canto do altar, um senhor,  negro e gordo — víramos quando ele amarrava, pelo cabresto, numa árvore da rua, um cavalo do qual  apeara — duns sessenta e poucos anos, tentava rodar um disco vinil, tipo broa preta, contendo alguma música apropriada ou pré-escolhida para a cerimônia. A noiva, desconcertada sob os olhares duns vinte e poucos convidados presentes, também suava muito e, nervosamente, olhava para o próprio busto — àquela altura dos acontecimentos e do calor sufocante —, nas partes onde o vestido, branco, exibia algumas manchas de suor colorido pela maquiagem dissolvida do seu rosto. Todo mundo esperando, ela continuava na porta da igreja com sua comitiva (duas crianças vestidas de damas de honra), esperando a música, que viria da tal eletrola aos cuidados daquele senhor negro.

Enquanto isto, ela obedecia a imperiosa ordem de um certo “retratista” (era este o nome que os fotógrafos profissionais davam aos incautos amadores que se metiam numa aventura daquela), fazendo as poses para o registro fotográfico. O senhor negro e gordo, que tentava funcionar sem sucesso o tocadisco de onde sairia a música de entrada da noiva, embalado num terno branco de linho, amarrotado e empoeirado, usava uma gravata estilo língua de vaca, na cor preta listrada de vermelho. Do seu rosto e da cabeça pelada escorria, incessantemente, para o pescoço, muito suor, logo absorvido pelas golas da camisa e do paletó e que, em contato com a poeira, produzia fina camada  de lama. Nas suas andanças pelo altar ele abordava, gesticulando e falante, uma senhora negra, gorda e baixinha, de vestido longo na cor branca.

Os sapatos dela, de bico fino e salto alto, eram de cor amarela com um pequeno cadarço vermelho. Os cabelos castanhos, lisos e longos, que compunham sua peruca, desciam abaixo dos ombros e eram deveras volumosos. Ela se abanava com um grande leque de cor verde-escura e bolinhas amarelas. Todos dentro daquela capela suavam muito; eu e minha mãe também.

Eram treze horas de um domingo do meado de janeiro. Somente uma forte tempestade para restabelecer uma temperatura confortável naquele ambiente. Foi quando, por fim, a broa preta rodou, a música tocou, a noiva entrou. O padre espremia novamente o Geraldo Dragão para que convidasse ao altar as suas testemunhas.

Geraldo virou-se de costas pr’o altar, desceu cambaleante os três ou quatro degraus, percorreu todo o corredor da capela fitando-nos, com olhar esperançoso. Tentou, num esforço nervoso e sobrehumano, explicar em poucas palavras a ausência dos seus padrinhos. O negro estava pálido. Seu terno cinza escuro brilhante, muito bem cortado, mas apertadíssimo no seu corpo magro, molhado, pingava suor. Ele mal articulava as poucas palavras, rogando que supríssemos o lugar das suas testemunhas ausentes. Tomados de forte emoção, restou-nos lacrimejar, eu e minha mãe.

Caminhamos com ele até ao altar... O padre deu inicio a cerimônia... Decorrido um tempo de falatório de improviso,  iniciou a  leitura dum texto numa pasta preta que sustentava aberta entre suas mãos trêmulas. O suor escorria-lhe da testa ao nariz, precipitando sobre a página que lia. Expressão grave, a palidez do seu rosto denunciava o quanto ele estava de "saco cheio" com tudo aquilo. O senhor negro, de terno empoeirado, andava inquieto de um lado para o outro ao fundo do altar, enxugando nervosamente a cabeça e o rosto, com um superlenço vermelho e preto que mais parecia uma toalha/bandeira do Flamengo. De repente o Geraldo Dragão, postando-se de frente para o padre, cambaleou e caiu espetacular e pesadamente sobre ele. Os dois foram ao chão. Com a ajuda dos presentes,que ainda se recobravam do susto,  ambos se levantaram. Na expressão fisionômica do padre lia-se um misto de dor e de raiva. Ele se ausentou do altar sob a recomendação de que avisassem na sacristia assim que o noivo restabelecesse da queda. Que cena! Por sorte, nenhum ferimento que impedisse a conclusão do episódio.

Milagrosamente, alguém descobriu  uma porção de açúcar guardado na despensa improvisada da capelinha, providenciando logo um calmante pro Geraldo Dragão. Assim, água com açúcar e cadeira ajudaram a levar o Geraldo ao final do evento, sentado. Quanto ao padre... Ahhhh!!! O padre! Este, mal balbuciou entre os dentes as bobagens finais da ocasião e, sequer cumprimentou os noivos... “Passou sebo nas canelas” e “pikou a mula”!!!

Foi assim que eu e minha santa mãezinha, surpreendentemente, nos tornamos padrinhos de casamento do Geraldo Dragão...padrinhos improvisados. Voltemos a Mister White, (o agente catalizador dessa "REVOADA DE MEMÓRIAS"), aquele que mencionei no início do texto, que se dizia convidado a assistir o casamento do meu primo  no Sul do país...Pois bem; baseado neste relato da minha experiência pessoal,

 não duvido que esse "nobre senhor" possa também apadrinhar circunstancialmente ou emergencialmente, o casamento do Dr. Alfredo, haja visto a notável amizade de Mister White como pai do noivo e por extensão, com sua família. O pai de Alfredo,  homem virtuoso e dotado de notável calibre intelectual; norteou sua vida de nobres valores humanos, vivenciados na interação com seus pares na sociedade, entre os quais foi profundamente admirado e respeitado. Incompreensível e paradoxal  entretanto, a sua estreita ligação com uma criatura de limitados horizontes conscienciais como Mister White...

                                                   *Cláudio Estevam

 

sábado, 12 de maio de 2012

EM BUSCA DA CONSCIÊNCIA


 


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EM BUSCA DA CONSCIÊNCIA*
Qual é a natureza da consciência? Perguntar é fácil, determinar a resposta não. A consciência pode parecer uma coisa normal, até banal. As pessoas se desculpam por ter ignorado "inconscientemente" alguém numa festa ou dizem querer "expandir sua consciência". Mas a verdadeira compreensão do fenômeno permanece elusiva.

De que forma os sistemas físicos do cérebro agem em conjunto para criar as experiências subjetivas da mente - os pensamentos particulares e introspectivos que fazem de nós aquilo que somos? A dificuldade em se usar a ciência empírica para quantificar algo tão subjetivo, levou David J. Chalmers, filósofo da University of Arizona, a nomear a questão de o "problema difícil".

Por muito tempo restrita ao campo de investigação filosófica, a consciência passou a ser abordada nos últimos anos também por neurocientistas. Francis Crick, do Salk Institute for Biological Studies de San Diego, e Christof Koch, do California Institute of Technology, por exemplo, sustentam que uma abordagem legítima para a exploração dos mecanismos da consciência seria se concentrar na descoberta dos chamados correlatos neurais - os processos do cérebro mais diretamente responsáveis pela consciência. Localizar os neurônios do córtex cerebral que se relacionam com a consciência e compreender como se ligam a neurônios de outras regiões do cérebro pode fornecer importantes revelações.

Avanços recentes nas técnicas de imageamento tornaram possível observar quais áreas do cérebro estão em ação durante diversos tipos de atividade mental. A consciência pode ser um dos grandes quebra-cabeças da neurociência, mas ao compreenderem melhor os processos envolvidos os cientistas estão gradualmente identificando as peças.
Múltiplos Níveis
Qualquer tentativa de entender a consciência tem de começar pela constatação de que o fenômeno engloba vários estados. Portanto seria melhor evitar falar em "a" consciência, como acontece com freqüência nas discussões filosóficas. Em um dos extremos desse amplo espectro está o chamado estado de alerta (ou vigília). Estados de menor consciência incluem a sonolência, o cochilo, o sono profundo e o coma.

O fluxo característico da consciência consiste em duas formas: a de fundo e a atual. A consciência de fundo, ou de base, abrange as experiências sensoriais duradouras, como a identidade pessoal, a percepção do corpo físico, o controle desse corpo e do intelecto e o modo como a pessoa se insere no tempo e no espaço. Outros elementos incluem o nível de realidade das experiências de cada um e a diferença entre a realidade e a fantasia. A consciência de fundo fornece as bases para o segundo tipo: a consciência atual. Os estados concretos e às vezes alternantes da consciência atual abarcam a percepção dos processos que ocorrem no corpo e no ambiente; atividades intelectuais, como pensar, imaginar e lembrar; emoções, pensamentos e necessidades (como a fome); e desejos, intenções e atitudes.

A atenção é um elemento importante da consciência. Fatos que não chamam nossa atenção praticamente inexistem para nós, mesmo que influenciem nossas percepções, sensações ou reações. A atenção, no sentido da concentração, aguça os estados atuais da consciência. Quanto mais nos concentramos em um único fato, mais os outros fatos se distanciam de nossa consciência.

No dia-a-dia, nossos cérebros captam e processam uma grande quantidade de informação que nunca chega à nossa consciência. Os neurocientistas se referem a esses dados subconscientes como percepção ou aprendizado implícitos. A maior parte dos especialistas acredita que essa percepção inconsciente leve a um processamento superficial da informação: a pessoa reconhece objetos, ocorrências e conexões por meio de características físicas óbvias e regras simples. Detalhes e conteúdo complexo não são reconhecidos. Em comparação, somos conscientemente capazes de dar conta das tarefas complexas envolvidas na percepção e no aprendizado explícitos.
A atenção e a consciência atual se fazem presentes quando o cérebro se defronta com acontecimentos ou problemas que julga ser importantes e novos. Com a ajuda de vários tipos de memória, o cérebro classifica as percepções dependendo se são importantes (ou insignificantes) e conhecidas (ou desconhecidas). Se alguma coisa é categorizada como insignificante, ou não vai nem chegar à consciência ou vai atingi-la de modo impreciso. Uma informação que é "importante mas conhecida" causa a ativação de processos que já lidaram com ela no passado, portanto o cérebro pode executar atos rotineiros com um nível mínimo de consciência. Só quando um acontecimento ou um trabalho é importante e novo - quando a pessoa tem de solucionar um problema complicado ou aprender uma nova habilidade motora, por exemplo - é que os sistemas da consciência e da atenção são totalmente ativados. A consciência, nesse caso, é um método específico de processar informações que seriam intricadas demais para processos subconscientes.

Muitas tarefas, principalmente aquelas que requerem prática, precisam primeiro ser percebidas conscientemente. Temos de nos concentrar para aprender a dirigir, andar de bicicleta ou tocar piano. Com a prática, podemos reduzir o nível de concentração e alerta. Depois disso, prestar atenção aos detalhes pode até mesmo atrapalhar o progresso da ação.


Sinais de Consciência
Os neurocientistas descobriram nos últimos anos regiões do cérebro que estariam ligadas ao fenômeno da consciência e criaram teorias sobre o papel que desempenham na formação dessa forma única de apreensão de conhecimento. Uma ferramenta historicamente importante para essa pesquisa é o estudo de pacientes com lesões em áreas específicas do cérebro. Mas a observação dos resultados não revela muita coisa sobre os mecanismos neurais que sustentam a consciência. Para encontrar tais dados são necessários métodos que registrem a atividade neural, começando pelo nível individual das células ou até mesmo por suas sinapses (pontos de conexão), chegando até às redes corticais que contêm milhões ou bilhões de células nervosas. Técnicas especiais de imageamento ajudam a dar pistas: a magnetoencefalografia (MEG), a tomografia por emissão de pósitrons (PET) e a ressonância magnética funcional (fMRI).
O eletroencefalograma (EEG) registra as ondas elétricas do cérebro.

Com essas técnicas, os pesquisadores descobriram que os indivíduos percebem conscientemente apenas a informação que é processada nas regiões associativas do córtex cerebral. As atividades de processamento elementar executadas fora do córtex não são acessadas pela consciência. Os vários estados da consciência representam portanto o produto final de atividades extremamente complexas, mas processadas de modo totalmente inconsciente. Até mesmo a sensação de que somos livres em nossas intenções e ações - a impressão subjetiva de livre-arbítrio - é moldada por centros que funcionam inconscientemente. A consciência pode ter um papel mais de "aconselhamento" que de decisão em nossas atitudes.
O que acontece, então, nas regiões associativas quando experimentamos um determinado estado de consciência? Acredita-se que os vários estados se baseiem na "reconfiguração" em frações de segundo das redes neurais do córtex. Essas redes são formadas por milhões de células nervosas densamente interconectadas. As sinapses fortalecem ou enfraquecem as conexões por um curto espaço de tempo, o que altera a maneira como as informações são processadas. Assim, células nervosas de locais específicos das redes compartilham temporariamente o mesmo estado de excitação. Quando, por exemplo, o cérebro está tentando reconhecer um objeto entre muitos ou compreender o significado de uma frase, um grupo de células nervosas forma temporariamente uma unidade com um só objetivo. A combinação de conexões entre o tálamo (um importante centro de ativação) e o córtex (que opera num nível mais localizado e estendido) parece ter uma atuação essencial no surgimento de atividades sincronizadas


Pensando em Intervalos de um Segundo
Substâncias químicas liberadas nas regiões do cérebro relevantes à consciência modulam ou influenciam as rápidas alterações na força da sinapse dos neurônios corticais. As chamadas formações reticulares e os centros límbicos exercem controle significativo sobre essa liberação (ver quadro 1). O material mensageiro (os neurotransmissores "rápidos", como o glutamato ou o ácido gama-aminobutírico), responsável pelo transporte de sinais entre as células nervosas, opera em questão de milésimos de segundo. Os processos de neuromodulação, e as reações químicas causadas por eles no interior de uma célula ou numa sinapse, requerem muito mais tempo - aproximadamente um segundo ou até mais. Essa pode ser a base para o intervalo característico de um segundo da consciência: o período durante o qual são liberados a percepção, a imaginação, o pensamento e a memória.

Os processos de neuromodulação exigem quantidades relativamente grandes de oxigênio e glicose. O reabastecimento correspondente, feito através de um aumento no fluxo sangüíneo local, ocorre em segundos. Veja um exemplo de como o processo funciona. Imagine ter de identificar rapidamente um objeto dentro de uma cena complexa. É preciso, em primeiro lugar, se concentrar, o que causa um esforço correspondente nos lobos temporal e occipital. A força das conexões sinápticas se altera nas redes que já existem, ou novas redes se formam até que a solução seja encontrada. Depois de várias repetições da tarefa, essas conexões corticais se tornam mais vigorosas, o que demanda menor esforço mental para sua realização. Uma tomografia ou uma ressonância magnética funcional do cérebro mostrariam uma quantidade quase imperceptível de atividade cortical. Do mesmo modo, depois de praticar o suficiente para obter uma habilidade motora, uma pessoa pode executar o movimento "dormindo" ou mesmo enquanto pensa em outras coisas. As redes envolvidas na ação vão se tornando gradualmente menores, e se transferem para o córtex motor e para centros motores mais profundos, como o cerebelo e os gânglios da base (que operam inconscientemente).

O cérebro está constantemente tentando automatizar os processos, dispensando-os da consciência; dessa maneira, o trabalho será concluído mais rápido, com mais eficácia e num nível metabólico menor. A consciência é lenta, sujeita a erro e trabalhosa.
Associações no Cérebro
Por que só os processos que ocorrem no córtex associativo são acompanhados da consciência? Um primeiro olhar não revela grande coisa. Aquela área do cérebro não varia muito em aparência em relação ao resto do córtex. Ela também consiste em seis camadas com uma disposição celular relativamente homogênea. Seus pontos de entrada e saída são coordenados nas camadas individuais, assim como acontece no restante do córtex. Mas a resposta pode estar nas próprias conexões - e na sua quantidade assombrosa.

As regiões sensoriais primárias e secundárias do córtex relacionam-se a um processamento inicial da informação captada pelos órgãos sensoriais. Só então as regiões associativas são ativadas (ver quadro 2). A informação que sai dos olhos, por exemplo, passa através do tálamo primeiro para o córtex visual primário e secundário, e depois para as várias regiões associativas visuais dos lobos parietal e temporal. Mas também há muitas conexões reversas que voltam às regiões primárias e secundárias. Os neurônios das áreas associativas respondem a uma informação de modo muito mais complicado que as células das regiões sensoriais - elas trabalham de maneira altamente integrada. Determinadas células nervosas da zona de transição entre os lobos parietal, occipital e temporal reagem especificamente ou a estímulos visuais e auditivos, ou a estímulos visuais e táteis ou a estímulos visuais, auditivos e táteis.

O córtex associativo se conecta de modo muito mais intenso ao hipocampo (o organizador da memória cognitiva) e ao sistema límbico (principalmente à amígdala, a organizadora e possível centro de memória emocional), em comparação com outros córtices. Essas regiões corticais parecem ser extremamente importantes na produção de diferentes estados de consciência.

Aparentemente, o desenvolvimento da consciência se apóia, em grande parte, nas numerosas ligações entre células nervosas do córtex e outras células. O enorme número de conexões do córtex supera em muito o número de pontos de entrada e saída. Essa disposição significa que o córtex se comunica mais consigo mesmo que com os órgãos sensoriais e o aparato motor.
Disparos Sincronizados
Os neurocientistas podem, portanto, determinar que funções os estados de consciência exercem e que condições físicas, químicas, anatômicas e fisiológicas são necessárias no cérebro para o desenvolvimento desses estados. Mas ainda resta uma pergunta essencial: Como a consciência acontece? Muitas teorias foram propostas, mas não há consenso; boa parte das idéias dá importância central às interações entre o tálamo e o córtex.
Uma boa candidata a explicação pode vir da sincronização das bilhões de células nervosas corticais com as trilhões de sinapses - que ao mesmo tempo estão sob a influência da formação reticular, do tálamo, do hipocampo e dos sistemas límbicos. A ocorrência astronomicamente alta de reconfigurações internas no córtex associativo contribui para essa noção. Uma melhor compreensão das propriedades das ligações das redes neurais do cérebro pode lançar luz sobre características como a experiência pessoal.

Se ainda não há explicações definitivas, não será assim para sempre. A consciência tem um caráter muito singular, mas ao menos alguns dos mistérios que a cercam devem, apesar de tudo, acabar sendo derrubados pela persistente investigação científica.
* por Gerhard Roth

A Transcendente Essência da Amizade

  A TRANSCENDENTE ESSÊNCIA DA AMIZADE *

            Há pessoas com as quais convivemos eventualmente ou circunstancialmente e apenas registramos suas presenças pela fraca impressão sensorial que nos causam; a relação situa-se num plano humanitário, social, desprovida dos interesses nobres e comuns que norteiam a construção de uma sólida amizade. Entretanto, outras há que, já nas primeiras palavras que nos dedicam, escritas ou verbais, tomam-nos de calorosa empatia, prenunciadora de interação fraterna e imorredoura como a que vivencio desde 1973, quando conheci meu amigo João Vicente, técnico em eletrônica. Nossa interação resultou de interesse meu por seus préstimos profissionais — a construção de um rádio-transmissor dos sinais do Código Morse.      

            Estávamos em plena vigência do Estado ditatorial, por isto, João me recomendou cautela no uso do equipamento, cujos sinais desautorizados pelo Dentel, poderiam ser detectados pelos organismos de vigilância e repressão política operado por militares.

             Daí em diante, minha presença mais freqüente na sua loja redundou no estreitamento dos nossos laços de amizade, tanto pela convergência de nossos interesses profissionais quanto pelas nossas afinidades no campo das idéias.

              João, homem de fala mansa, sempre sereno e seguro de si, cauteloso na sua leitura e visão de mundo, assim como na emissão das suas opiniões, revela na sua interação social notável equilíbrio, sensibilidade e maturidade espiritual.

              Pai e marido exemplar, João recebe e retribui carinhosamente a afeição da esposa e dos filhos, que se engajam e compartilham da sua luta pelo sustento da família. Assim, sua rotina diária de trabalho pode, eventualmente, se estender pela noite, madrugada e final de semana.

               Desapegado, seu amplo senso de liberdade e autoconfiança — assim como sua extraordinária capacidade de ultrapassar a transitoriedade do mundo atrelado aos cinco sentidos — lhe atribui a dádiva de penetrar na essência oculta das criações e criaturas; daí, seu profundo respeito pelos horizontes de compreensão e entendimento de mundo de seus semelhantes.

                Nossas conversas se enveredam pelos campos da ciência política, tecnologia, relações humanas, espiritualidade, educação, história geral e até pelo terreno minado das religiões.

                Autodidata, espírito indagador, pesquisador, João garimpa verdadeiras pérolas de sabedoria em fontes ignoradas ou desdenhadas por autores e historiadores referenciados e consagrados nos pedestais dos templos e das catedrais do saber. Leitor, de respeitável estirpe, jamais se impressiona com o êxtase dos mercenários da literatura; tampouco com a cultura demagógica, exibicionista e fútil de pseudos eruditos. 

                 Livre pensador, candeeiro do seu destino, João é magistral na apresentação das suas próprias idéias; mestre, falando de espiritualidade; um espírito, se ajustando a cada movimento da sinfonia evolutiva do Universo!

                 O sentimento que ora envolve meu coração não reflete, no seu âmago, a dor pela perda de um amigo — em virtude da minha concepção espiritualista de vida---- mas, um misto de alegria e saudade. Alegria por ter compartilhado e honradamente desfrutado da sua amizade e da sua confiança. Saudade de nossas longas e intermináveis conversas que, literalmente, traduziam nossos anseios de melhor compreensão do sentido da vida e do mundo fenomênico em que vivemos.

                  Mestre João Vicente! Meu companheiro de jornada! Meu amigo! Meu mestre! Até breve! Até mais!... 

    * CLÁUDIO ESTEVAM         

Mercenários da Ingenuidade


Mercenários da Ingenuidade     

*Cláudio Estevam 



Sob a égide de orientadores espirituais, missionários religiosos, iluminados ou trabalhadores da fé, escondem-se embusteiros  travestidos de demiurgo. A Bíblia Sagrada, livro considerado fenômeno editorial e de vendas desde sua primeira edição, é a ferramenta de trabalho de tais impostores.. O público alvo é a massa trabalhadora: preferencialmente a de menor esclarecimento, mais simples por carecer de senso crítico e incapaz, evidentemente, de questionamentos ou interrogações  mais profundas e elaboradas acerca dos mistérios da vida e do mundo; mais humilde e “temente” (termo impróprio, mas fluente entre ‘fiéis’, ‘crentes’...) a Deus; encabrestável, portanto — do ponto de vista consciencial — à condição de fiel rebanho em busca de Deus e sob a regência de um pastor.

PASTORRRRRRRRR(!!!)... autocoroado “pregador da palavra”, num dito “templo”

encetado em imóvel  precário, inclusive quanto a instalações para atender cuidados mínimos de higiene, o espaço utilizado às vezes sob o beneplácito do proprietário.

Esse “comandante de platéia” logo se apresenta ao ainda minguado número de fieis como “Homem de Deus”, assumindo, doravante,  a missão de conduzí-los ao Reino Celestial através do ensinamento da “Palavra”, contido na Bíblia Sagrada. Explica que os escritos Bíblicos são literalmente verdades absolutas e imutáveis, exigida obediência cega e incontestável. Que foram escritos por homens de Deus, iluminados pelo Espírito Santo. Faz-se mister, pois – prossegue o autoproclamado reverendo –, que conheçamos, respeitemos e vivenciemos, sem que caiba quaisquer questionamentos, todos os ensinamentos bíblicos, o que significa agradar, como devido, a Deus nosso Pai e ao SEU FILHO Jesus Cristo, nosso Salvador. Mas, Deus Pai não se satisfaz apenas com a retidão de conduta dos seus filhos e “para merecer uma vida alegre, saudável, feliz e rica de bens materiais aqui na terra, é imprescindível que trabalhemos  no sentido da divulgação da Palavra ao maior número possível de irmãos que ainda não tiveram um encontro com Deus”, ressalta.

E todo crente é obrigado a fazer a sua parte para a divulgação da Palavra, cujo significado 

maior é A Obra de Deus. Dando sequência ao discurso sobre o funcionamento de Deus, o Pastor adentra sutilmente os meandros..., exortando os fiéis ao exercício da Obra. Discorre primeiro sobre os custos COMO ALUGUEL DO ESPAÇO, ÁGUA , LUZ, SALÁRIO DO PASTOR PELA SUA DEDICAÇÃO EXCLUSIVA AOS INTERESSES DA IGREJA e, como já está previsto por Deus na Biblia, o modo de prover a Igreja dos recursos e bens necessários à SUA MANUTENÇÃO e à realização da tal Obra DE EVANGELIZAÇÃO É O PAGAMENTO DE DÍZIMOS E AS OFERTAS EXTRAS.



Ordena que os crentes abram suas Bíblias em Malaquias 3:10-12 onde se lê “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós bênção sem medida”. Precisamente neste momento todos leem, alto e bom som, repetidamente, sob o olhar observador do Pastor...Ele percebe o alcance , o efeito desta recomendação de Malaquias, no seu ainda pequeno rebanho. Aproveitando a boa energia e o entusiasmo reinante entre eles , o pastor determina que paginem até GN. Fala de Abrão - "E de tudo lhe deu Abrão o dízimo" (Gn 14.20). Mais à frente mostra a Lei Mosaica: "A décima parte das colheitas, tanto dos cereais como das frutas, pertence a Deus, 

o SENHOR, e será dada a Ele" (Lv 27.30). E prossegue: "Certamente, darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo" (Dt 14.22)...



Voltando ao GN cita Jacob: "...de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo" (Gn 28.22). Cita também Jesus em Lc: "Assim, pois, todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo" (Lc 14.33) ... E continua: As contribuições devem ser generosas, pois assim é ensinado tanto no Antigo Testamento (Ex 25.1,2; 2Cr 24.8-11) quanto no Novo Testamento (ver 2Co 8.1-5,11,12). Não hesite em contribuir de modo sacrificial (2Co 8:3), pois foi com tal espírito que o Senhor Jesus entregou-se por nós (ver 2Co 8.9 nota). Para Deus, o sacrifício envolvido é muito mais importante do que o valor monetário da dádiva (ver Lc 21.1-4). Quando há fidelidade nos dízimos, a Casa do Senhor é agraciada com recursos que serão usados na pregação do Evangelho, abençoando missões, ministérios e também o social, vestindo aos irmãos necessitados...



Assim, o Pastor continua discorrendo sobre centenas de outras recomendações Bíblicas acerca dos dízimos e das ofertas que os crentes devem doar em favor da Evangelização e a implantação de serviços 

sociais da Igreja em favor dos mais pobres. “Portanto, é urgente, urgentíssimo que se assumam logo como dizimistas e ofertantes da Igreja. Portanto, é urgente, urgentíssimo...” repete, reiteradamente, as mesmas palavras, que soam num tom de voz que ele sabe receptivo e persuasivo na mente dos seus fiéis. Ordena que cada fiel converse sobre Deus ou Jesus com seu amigo ou vizinho mais próximo, sobre o quanto está feliz com sua nova igreja, nova religião e seu novo Pastor; convidando-os assim, para conhecê-los.



Assim, o fiel iniciante leva o vizinho, que leva o colega de trabalho, que leva a namorada, que leva sua mãe... E, ENTÃO, TRANSFORMANDO OS RESULTADOS DESSA SURRADA LATOMIA MILENAR EM DINHEIRO, OS TAIS PASTORES CRIAM DENOMINAÇÕES RELIGIOSAS COM PRETENSÕES NADA HUMILDES. A Igreja UNIVERSAL do Reino de Deus, MOSTRA, SEM DÚVIDA, A PRETENSÃO DO SEU CRIADOR — O TAMBÉM AUTOPROCLAMADO BISPO (NÃO ERA PRA SER ‘APÓSTOLO’?), EDIR MACEDO. NELA, O “UNIVERSAL”, PARECE PRECONIZAR ALGUMA COISA COM PODERES E ALCANCES INTERGALÁTICOS. SEUS TEMPLOS LOGO SERIAM NOTADOS NAS CAPITAIS DE ESTADOS DA FEDERAÇÃO.O NEGÓCIO DA FÉ CRESCIA INCONTROLÁVEL E IMPREVISIVELMENTE, DEMANDANDO CADA VEZ MAIS ESPAÇO COBERTO E SEGURO PARA RECEBER OS CRENTES E PROMOVER OS CULTOS. ENQUANTO ISTO, OS DÍZIMOS E OFERTAS ENGORDAVAM  AS MILIONÁRIAS CONTAS BANCÁRIAS DA IGREJA E DOS SEUS “LARANJAS”. COM A AQUISIÇÃO DE ALGUMAS ESTAÇÕES DE RÁDIO E A COMPRA DE HORÁRIOS EM ALGUMAS TVS COMERCIAIS E EXECUTIVAS EDIR TORNOU-SE, DA NOITE PARA O DIA, UM EXÍMIO PASTOR ELETRÔNICO.  O ADVENTO DO VÍDEO CASSETE E POSTERIORMENTE DO LEITOR DE DVD,mais a popularização dos receptores do sinal de TV via satélite DECRETARIA, EM CARÁTER DEFINITIVO E IRREVOGÁVEL, A FALÊNCIA E CONSEQUENTE FECHAMENTO DAS CASAS DE EXIBIÇÃO DOS ESPETÁCULOS CINEMATOGRÁFICOS, OS CINEMAS. SITUADOS EM ÁREAS COMERCIALMENTE NOBRES, ESSES SALÕES FORAM CONSTRUIDOS EM  TERRENOS DOADOS PELAS RESPECTIVAS MUNICIPALIDADES (LEIA-SE “BOLSO DO CONTRIBUINTE”) AOS EXPLORADORES DO NEGÓCIO  QUANDO O CINEMA AINDA ERA NOVIDADE.   COM A MORTE DO NEGÓCIO, ENCONTRAR UM COMPRADOR PARA IMÓVEIS DAQUELE PERFIL E COM DINHEIRO VIVO ACONTECEU MAIS RÁPIDO QUE O ESPERADO...FOI O PROPRIO EDIR QUE, PESSOALMENTE, BATEU ÀS PORTAS 

PROPONDO NEGÓCIO. CONTRARIANDO AS EXPECTATIVAS DE QUALQUER VENDEDOR, O COMPRADOR NÃO ESTAVA ALI PARA PECHINCHAR PREÇO, EDIR QUERIA APENAS SABER O PREÇO...



DORAVANTE, LOGRAR ADQUIRIR IMÓVEIS ASSIM PRETENDIDOS NÃO MAIS SE CONFIGURARIA COMO DIFICULDADE, COMO ENTRAVE À OPERAÇÃO DOS NEGÓCIOS DO PODEROSO “BISPO”. ASSIM, COM A AQUISIÇÃO RÁPIDA DESSES SALÕES/TEMPLOS, O NEGÓCIO DESENVOLVEU SURPREENDENTEMENTE PODEROSAS PERNAS TERRITORIAIS,  LOGO, SEUS TEMPLOS INTERNACIONAIS PIPOCARIAM  POR TODO O PLANETA.



NOS PAÍSES MISERÁVEIS DA AMÉRICA LATINA, ONDE O PERFIL POLÍTICO DO ESTADO EM NADA DIFERE DA VASSALAGEM FEUDAL  DE ANTIGOS FAZENDÕES, “BISPOS” E “PASTORES”,  ANALFABETOS OU SEMIALFABETIZADOS ARRASTAM O “PORTUNHOL AZÊDO” ENTRE DIALETOS MILENARES. OS TENTÁCULOS INTERCONTINENTAIS DA IURD, VIERAM NO BOJO DA MULTIPLICAÇÃO DOS DÍZIMOS E DAS OFERTAS EM ESCALA ASTRONÔMICA. A PONTO DE EM 1989 EDIR COMPRAR, PELA BAGATELA DE 345 MILHÕES DE DÓLARES AMERICANOS, A REDE RECORD DE TELEVISÃO. HOJE SOMAM 23 EMISSORAS DE TV, MAIS QUATRO OUTRAS REDES OPERANDO VIA SATÉLITE E UM CONGLOMERADO DE NEGÓCIOS PARALELOS A IURD, COMPRADOS E MOVIDOS COM O DINHEIRINHO SUADO DOS DIZIMISTAS E OFERTANTES DA IGREJA...



MAS, NO MEGANEGÓCIO DA FÉ, TEM PRA TODO MUNDO. EDIR, É APENAS MAIS UM MERCENÁRIO DA INGENUIDADE  HUMANA, QUANDO O ASSUNTO É DEUS.